segunda-feira, 8 de julho de 2013

uma noite sem luar

É uma tarde quente de março. Ninguém espera que algo fora do comum aconteça. Todo mundo brinca, ri e aproveita como se o dia não fosse mais acabar.
Até que o Sol começa a se pôr. Junto com o entardecer, vêm as mães à janela chamar seus filhos.
“Juca, tá escurecendo! Vem pra dentro!”
São seis e quinze, o céu está inteirinho rosado e todo mundo está se perguntando o que houve. Tá faltando alguma coisa mas ninguém sabe o quê.
“Cê tá sentindo isso?” Juca pergunta pra mãe e pra quem estiver ouvindo.
A gente tá sentindo isso sim, Juca. A gente só não sabe o que é.
Já são quase sete horas, a noite está caindo e o céu está pintado em azul, rosa e amarelo.
Acho que agora todo mundo já olhou pro céu e percebeu que a Lua faltou ao serviço.
Depois de entender o que era aquele incômodo, ninguém pareceu ligar muito.
Menos o Juca.
O Juca senta na janela até as nove e fica conversando com o céu, perguntando pras estrelas se tá tudo bem lá em cima.
“Chega de brincar, agora é hora de dormir.”
Desacostumado com a ausência de luz entrando pela janela, Juca custa a dormir.
E se vocês querem saber, a Lua tava ali, sim. Bem no cantinho.  Espiando, vendo se sentiriam sua falta.
Por sorte ela achou Juca.

nostalgia

Solidão constante
O tempo congela
Agonizante
Minha alma não pára

Coração turbulento
Guarda as dores e as alegrias
E as transforma em
Pura melancolia

Silêncio agudo
Queima e arde
Há muito a ser dito
Nada é revelado

Olhos nos olhos
O toque das mãos
Nenhuma palavra é dita
Não há coesão

domingo, 25 de novembro de 2012

01h45

Eu gosto de bocas, eu gosto de pescoços, eu gosto de clavículas, eu gosto daquela curva entre as costas e o bumbum. Eu gosto de olhos, eu gosto de sobrancelhas alinhadas, gosto de cinturas, dos ossos dos dedos e do jeito que eles se movem. 
Eu gosto de reparar nas coisinhas que as pessoas fazem involuntariamente. Pequenas manias, defeitos, detalhes.
Eu gosto de reparar no jeito que as pessoas olham, falam e principalmente no jeito que elas se perdem nos próprios pensamentos. 
É fascinante assistir alguém montar uma ideia. 
Eu gosto de assistir pessoas bonitas. 
Gosto de pintas marrom-claras no pescoço. 
Eu gosto do jeito que o rosto das pessoas se contorce quando elas se aprontam a chorar.
Eu gosto de observar as pessoas lendo e suas expressões inconstantes.
Gosto de observar.
Pegar no ar aqueles detalhezinhos que todo mundo parece deixar escapar.