sábado, 7 de dezembro de 2013

e machuca tanto
essa coisa de existir.
essa coisa de esconder o que sente.
essa coisa de enfrentar
problemas,
pessoas.
pessoas com problemas,
problemas em pessoa.
essa coisa de sentir,
de machucar.
de não poder sair,
voar,
explorar todos os universos.
e voltar se perguntando
o que são problemas
ou pessoas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

a angústia é amarela

ela tá aqui
da ponta do meu pé
até a ponta do nariz

e quando eu saio
ela também sai
ela é minha melhor companheira
a escória dos meus dias

ela é uma amiga
uma nêmesis
minha busca por ar
e a âncora que me puxa

eu sou cheia dela
eu tô cheia dela
mas eu não sei 
me ver sem ela
viver sem ela

um poema dispensável sobre coisas dispensáveis

não sei dançar,
mas danço.
não sei cantar,
mas canto.
não sei te amar,
mas amo
e como.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

vou

Eu fecho meus olhos
e me deixo inundar.
Cansaço e desamor
é tudo que me há.

Eu fecho meus olhos 
e vejo os seus.
Sua íris cor de mel
inundada 
pelas lágrimas do adeus.

Eu fecho os meus olhos
e de tudo me desenlaço.
Percebo viver
nesse constante
maçante
impertinente
mormaço. 

Eu fecho meus olhos 
e tudo se vai.
A lâmina vai cega,
a comida vai sem gosto,
as flores, sem essência.
E eu também.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

dias dois

Para o biólogo,
o coração leva sangue às veias.
Para o poeta,
entende tudo às meias.

O coração é uma arma
prontinha pra disparar
o amor, a esperança
ou o desalento que ainda virá.

O coração apaixonado, então
não pode ser policiado.
Continua atirando e atingindo
amores que pendem apenas para um lado.

Aí a gente gosta, olha de longe, 
ri do nada.
Às vezes até sonha
(dormindo ou acordada).

Mas apaixona, apaixona mesmo
só mantém os pés no chão.
E toma cuidado! 
Porque a bomba mais perigosa do mundo
é o coração.


sábado, 20 de julho de 2013

hope-losing

I wish I could
hold you in my arms
protect you from
each and every harm.

But we both know I can't,
we're no longer each other's!
And yet I'd look after you
if I was ever sober.

Do you remember
us sitting by the river?
When my kisses and the wind
were enough to make you shiver.

The tulips I got you,
the ones I know you didn't throw away,
now rot and represent
all the "sorry" we didn't say.

Your eyes once so bright
are now the darkest shade of blue.
But I can't change that,
you know I can't save you.

There's so much
I wish you would know
but wishing is of no use, 
for the world has already 
 emptied your soul.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

uma noite sem luar

É uma tarde quente de março. Ninguém espera que algo fora do comum aconteça. Todo mundo brinca, ri e aproveita como se o dia não fosse mais acabar.
Até que o Sol começa a se pôr. Junto com o entardecer, vêm as mães à janela chamar seus filhos.
“Juca, tá escurecendo! Vem pra dentro!”
São seis e quinze, o céu está inteirinho rosado e todo mundo está se perguntando o que houve. Tá faltando alguma coisa mas ninguém sabe o quê.
“Cê tá sentindo isso?” Juca pergunta pra mãe e pra quem estiver ouvindo.
A gente tá sentindo isso sim, Juca. A gente só não sabe o que é.
Já são quase sete horas, a noite está caindo e o céu está pintado em azul, rosa e amarelo.
Acho que agora todo mundo já olhou pro céu e percebeu que a Lua faltou ao serviço.
Depois de entender o que era aquele incômodo, ninguém pareceu ligar muito.
Menos o Juca.
O Juca senta na janela até as nove e fica conversando com o céu, perguntando pras estrelas se tá tudo bem lá em cima.
“Chega de brincar, agora é hora de dormir.”
Desacostumado com a ausência de luz entrando pela janela, Juca custa a dormir.
E se vocês querem saber, a Lua tava ali, sim. Bem no cantinho.  Espiando, vendo se sentiriam sua falta.
Por sorte ela achou Juca.

nostalgia

Solidão constante
O tempo congela
Agonizante
Minha alma não pára

Coração turbulento
Guarda as dores e as alegrias
E as transforma em
Pura melancolia

Silêncio agudo
Queima e arde
Há muito a ser dito
Nada é revelado

Olhos nos olhos
O toque das mãos
Nenhuma palavra é dita
Não há coesão